Moradores das Ilhas de Tinharé e Boipeba aderem à Campanha de Entrega Voluntária de Aves

Canto feliz é o do pássaro que voa livre na natureza, este foi o lema da Campanha de Entrega Voluntária de Aves Silvestres realizada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), entre os dias 05 e 08/10, nas comunidades de Gamboa do Morro, Zimbo e Morro de São Paulo. A iniciativa, que conta com o apoio da Prefeitura de Cairu, abrange a Área de Proteção Ambiental (APA) das Ilhas de Tinharé e Boipeba e está inserida no Projeto de Educação Ambiental para Conservação da Fauna Silvestre no Estado da Bahia, desenvolvido pela Diretoria de Sustentabilidade e Conservação do Inema.

A especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Inema, Ana Carla Rocha, destacou a receptividade dos moradores à proposta da campanha. “Contamos com a participação efetiva da sociedade, principalmente dos idosos que, com suas experiências e sabedoria, se tornaram multiplicadores das ações de sensibilização, convencendo os mais jovens, seus filhos, netos e até mesmo vizinhos, a entregarem as aves. Uma parceria fundamental para o sucesso dos trabalhos realizados em toda a ilha, tendo em vista o receio de alguns com a presença de agentes do Estado”.

“Infelizmente a captura e criação de aves silvestres ainda é uma atividade muito comum na região. Estas ações contribuem para que os moradores destas localidades tenham a sensação de pertencimento e melhoria de percepção quanto à importância da APA para a preservação ambiental e consequente melhoria na qualidade de vida da população”, pontuou a Gestora.

Um dos entusiastas da campanha, o pescador Osmarino Machado da Luz, de 63 anos, morador da Gamboa do Morro, demonstrou a todos que o momento é de mudança e a cultura da criação de pássaros silvestres não pode continuar. “Sempre criei esses pássaros com muito carinho, sou de uma época em que não se tinha muito conhecimento das leis, nem sabíamos do mal que era tirar eles da natureza. Hoje, depois desta conversa e esclarecimento apresentado pela equipe do Governo, entregarei os cinco animais que tenho (papa-capim, chorão e canário-da-terra) e vou passar esta ideia adiante, para meus colegas de pesca e parentes”.

Moradora do Zimbo, dona Celi Alves, entregou uma jandaia-coquinho (Eupsittula aurea) que estava em sua casa há mais de um ano. “No início fiquei triste, não queria que ele fosse embora, mas aí depois da conversa, que o animal vai ser bem cuidado e levado para soltar na natureza, entreguei ao Inema”.

Para a bióloga da Coordenação de Gestão de Fauna do Inema (CGFAU), Rosane Barreto, a sensibilização se dá através do diálogo participativo, propiciando uma reflexão sobre a conservação dos animais. “Estamos realizando visitas de porta em porta, explicando, de maneira didática, sobre as ameaças aos animais e a legislação de proteção da fauna silvestre, bem como, a importância destas espécies para biodiversidade. A entrega voluntária isenta o cidadão das sanções previstas na legislação, como multa e implicações criminais. Muitos dos que mantém esses pássaros em gaiolas não tinham conhecimento que a retirada deles da natureza pode gerar um desequilíbrio ao ecossistema, pois cada espécie exerce uma função ecológica, controlando a incidência de insetos, também são dispersores de sementes, sendo responsáveis por construir florestas, além da reprodução e multiplicação de sua própria espécie”.

Parceiro nas atividades de sensibilização, o fiscal da Prefeitura Municipal de Cairu e morador do povoado da Gamboa, Gerson dos Santos, falou sobre a importância da parceria entre as instituições. “É notório aqui na região o problema da criação de pássaros e recentemente percebemos um aumento de torneios realizados com estes animais. A campanha já tem surtido resultados positivos, as pessoas já estão conversando sobre o assunto com uma outra perspectiva, entendendo que o lugar do pássaro é na natureza”.

As aves recolhidas serão encaminhadas para os Cetas Estaduais do Inema, onde receberão o tratamento necessário para reabilitação e posterior destinação para Áreas de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), cadastradas pelo órgão. “Animais silvestres ou exóticos mantidos em cativeiro não devem ser soltos diretamente na natureza, pois além do risco dele não conseguir sobreviver, há o perigo de gerar espécies invasoras ao ambiente. É preciso uma avaliação de suas condições físicas e de saúde, assim como, uma análise criteriosa do local de soltura, por isso orientamos a população que, ao encontrar animais silvestres feridos, em cativeiro e posse ilegal, solicite o resgate ou realize a entrega voluntária ao Cetas”, explicou o veterinário da CGFAU/Inema, Paulo Bahiano.

“Contamos com uma equipe multidisciplinar que realiza, desde o atendimento clínico até a identificação do local de ocorrência da espécie, seus hábitos alimentares e comportamentais. Após esta triagem, iniciamos os procedimentos de readaptação até que esteja apto para a reintrodução ao habitat natural”, ressaltou o veterinário.

 

Áreas de Soltura de Animais Silvestres – ASAS

São propriedades rurais propícias à soltura de animais silvestres, selecionadas a partir da manifestação voluntária de proprietários interessados e das características ambientais adequadas para sobrevivência dos animais reintroduzidos.  A Portaria Inema nº 22.129/2021 estabelece diretrizes, critérios e procedimentos gerais sobre a destinação de animais silvestres provenientes de captura, apreensão ou entrega voluntária e cadastro de áreas para soltura de animais silvestres.