Seminário Junho Ambiental marca o mês de comemoração ao meio ambiente

O Dia do Meio Ambiente é celebrado mundialmente em 05 de junho, mas para discutir os desafios e os avanços da gestão ambiental no estado da Bahia, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), em conjunto com Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), resolveu promover durante o mês inteiro eventos e divulgações voltados ao tema. Como um dos carros chefes da celebração, aconteceu nesta terça-feira (8) o seminário virtual intitulado de Junho Ambiental.

Na programação que contou com os mais variados temas, desde Mudanças Climáticas, Gestão da Fauna Silvestre, Mata Atlântica e Unidade de Conservação, participaram especialistas da Sema e do Inema, abordando conteúdos especiais relacionados ao meio ambiente e recursos hídricos, além de apresentações com estratégias de promoção para um desenvolvimento ambientalmente sustentável. A transmissão foi aberta ao público e cerca de 70 pessoas participaram e interagiram com os palestrantes por meio de perguntas. Clique AQUI para acessar a íntegra do evento.

A abertura do seminário contou com a secretária interina da Sema e atual diretora do Inema, Márcia Telles, que destacou a importância de termos técnicos dos órgãos ambientais do Estado, ministrando e apresentando o dia a dia das ações estaduais. “Esse evento de hoje inicia uma série de encontros que teremos ao longo do mês, em função da comemoração do Dia do Meio Ambiente, comemorado no último sábado, e o Dia do Oceano, comemorado nesta terça-feira. Queria parabenizar a todos os palestrantes e destacar que pra mim é de suma importância que todos envolvidos são servidores tanto da Sema quanto do Inema e isso nos dá muito orgulho de saber que essas pessoas que detém o conhecimento trabalham no dia a dia do Instituto e da Secretaria”, ressaltou a gestora.

Ainda segundo Telles, a pauta ambiental tem ganhado cada vez mais destaques nos debates de políticas públicas, o que auxilia na interação com a sociedade e colabora também na mudança de postura e envolvimento com o meio ambiente. “É um tema extremamente atual, tem permeado as nossas vidas de uma forma muito profunda, nos fazendo refletir e reavaliar até o nosso comportamento e todas as nossas ações […] Tudo se reflete naquilo que a gente faz, então é preciso antes de propormos mudanças muito significativas que a gente inicie mudanças internas. Mudanças de hábitos, mudanças de costumes para que a gente possa ter uma visão diferente do que nos espera no futuro”, avaliou.

Dando início aos temas, Tiago porto, especialista em Meio Ambiente e técnico da Diretoria de Políticas de Biodiversidade e Florestas da Sema trouxe uma apresentação bastante interativa com um formato reflexivo sobre Serviços Ecossistêmicos e Mudanças Climáticas. “A gente pensou em trazer uma fala com algumas reflexões com esses termos que aparecem frequentemente nas discussões e na política de meio ambiente, os serviços ecossistêmicos como ativo ambiental que a gente pretende e precisa conservar e as mudanças climáticas que ameaça a nossa existência”, explicou o especialista.

Durante a sua palestra, Tiago também aproveitou para apresentar dados técnicos por meio de um estudo, onde já mostra os efeitos das mudanças climáticas no estado baiano. “Os efeitos das mudanças climáticas são globais, mas temos estudos locais que já mostram que as mudanças climáticas também já são uma realidade na Bahia. Esse estudo de 2019 mostra, por exemplo, que na região Oeste ocorreu uma redução significativa nos índices de precipitação anual”.

Com o tema Mata Atlântica na Bahia: avanços e desafios na fiscalização ambiental no Bioma, o biólogo, especialista em Ecologia e Intervenções Ambientais, Miguel Calmon, que atualmente é coordenador de Fiscalização (COFIS) do Inema, foi o segundo palestrante da tarde.

“Quando a gente fala em Mata Atlântica, somos cercados de informações sobre o bioma, e a gente tem uma serie de informações que consumimos para de alguma forma orientar as nossas ações de fiscalização. Além disso, nós temos algumas ações também que visam à conservação do bimoa e dos seus remanescentes, pois sabemos que a Mata Atlântica é muito fracionada, é muito fragmentada e tem muitos remanescentes que são importantes”, disse Miguel durante a abertura de sua explanação.

O coordenador de Fiscalização do Instituto também lembrou sobre a existência de uma Lei específica que rege as ações sobre a Mata Atlântica. “A gente tem uma Lei especifica que fala da Mata Atlântica, a Lei 11.428, que dispõe sobre a proteção e utilização do bioma, então ela vai definir a ocorrência dentro do território nacional, com mapa de aplicação que posteriormente foi elaborado pelo IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]”.

Planos de Bacias: implementação e gerenciamento, foi o assunto da apresentação de Eduardo Topázio, engenheiro sanitarista e atual diretor de Recursos e Monitoramento Ambiental (DIRAM) do Inema. Topázio lembrou sobre legislação ambiental voltada aos recursos hídricos que foi criada nos anos 90. “Estamos falando de Plano de Bacia, mas na prática estamos falando da gestão pública da água ou dos recursos hídricos, há uma discussão muito forte em relação a esse aspecto, se é água ou se é recursos hídricos. Na prática você tem uma legislação própria, separada. Tem hoje [uma legislação] de Unidade de Conservação, mas é originária de meio ambiente e o Estado brasileiro entendeu, ainda nos anos 90, que deveríamos fazer uma legislação própria para os recursos hídricos”, afirmou o diretor.

Sobre a criação dos Planos de Bacias, o engenheiro classificou como de suma importância a participação social no passo a passo e na elaboração do produto final. “Tudo isso é parte que passa por uma discussão e um debate com a sociedade. Nós, como temos a responsabilidade do Estado em contratar a consultoria, contratar a construção do plano junto ao setor privado e o setor técnico, a gente tem a obrigação dupla que é avaliar o produto que é entregue com uma visão técnica e abrir o debate, abrir a discussão, permitir que a sociedade participe amplamente e de todos os elementos de forma clara, transparente e com uma linguagem acessível”.

Também realizaram apresentações no evento, o medico veterinário e coordenador de Gestão de Fauna (CGFAU) do Inema, Vinicius Dantas, com o tema Gestão da Fauna Silvestre para a gestão das espécies, o biólogo e diretor de Políticas e Proteção da Biodiversidade (DPBIO) e um dos responsáveis pelas atividades relacionadas às Unidades de Conservação, Luiz Araújo, que falou sobre Unidades de Conservação: protegendo a biodiversidade da Bahia e, com o tema Programa Água Doce: sistema de dessalinização sustentável para a sociedade, a coordenadora do Programa Água Doce (PAD) na Bahia e técnica da Sema, Luciana Santa Rita.